





Na semana passada eu estive na casa de shows Mogiana (finalmente) por um motivo simples e claro, assistir uma banda de OI Music que acompanho desde a mais tenra adolescência, os Garotos Podres.
Para a maratona escalei um dos meus melhores amigos, que simultaneamente as minhas peripécias musicais aqui em Black Stream, na cidade de Campinas ouvia e assistia as mesmas coisas, o "infant terrible" Gustavo Porto escriba e cineasta de formação.
Toda jornada que me enfio nestes quase quarenta anos de vida que envolvem música independente (punk rock, metal, hardcore, grind etc...) se revela uma peregrinação semelhante a percorrer o caminho de Santiago (aquele de Compostela) e salvo raras exceções , no percurso enfrento provações semelhantes ao cansaço físico e bolhas nos pés dos peregrinos em terras européias.
As provações aqui se mostram como cerveja na temperatura de quase quarenta graus (alguém pensou em laxante?), batidinhas gratuitas de pêssego ou algo parecido (que meu parceiro sorveu com desenvoltura e garbo e que declinei pois atualmente passo mal só com o cheiro), e uma infinidade de bandas tentando seu lugar ao sol, ou ao holofote, que nem sempre tem condições de ocupar qualquer palco.
Mas vamos aos fatos, ao chegar me deparei com uma autêntica banda de emotional hardcore, cujo o nome não anotei por pura falha já que para o gênero o grupo se mostrou bastante afiado. Visualmente o de sempre nestes emocionados anos dois mil, muita franja cobrindo os olhos, camisa curta e pulos, muitos pulos.
Na sequência veio os Dead Junqueiras, banda que emula o mais verdadeiro Punk Old School 1977, e que tem grandes amigos em sua formação. O som dos Deads foi a celebração daquilo que começou em 1975 em Nova York no extinto CBGB com direito a alguns " hey ho let's go", entoados como uma forma de culto pela platéia, que já nessa altura passava de trezentas pessoas.
Na platéia punks locais e de várias cidades da região, inclusive de Jaú (sic), todos se preparando para o "grand finale" com a garotada podre. Aconteceu algo que não presenciava há bastante tempo aqui em Sugar Cane City, e me fez confabular com o amigo Giuliano, guitarrista da lendária banda Distúrbio Mental que também pilota o baixo do Dead Junqueiras, a presença neste tipo de evento daquele pequeno sujeito que se veste como punk, consome tudo que é liquido, e depois enche o saco de todo mundo (inclusive das bandas) tentando tocar, tentando dançar e não consegue fazer nada disso e que sempre grita "Sex Pistols" ou "Anarquia" sem ter a menor idéia do que é isso ou aquilo.
Assim como os adeptos do "toca raul" pude constatar que os "toca pistols" ressurgiram numa nova geração. Eu e o Giuliano acreditamos que eles brotam do chão, assim como tiririca, aquele mato que aparece em qualquer jardim e não tem veneno que consiga eliminar. Essa etnia estava bem representada com parcos, mas barulhentos, exemplares no Mogiana.
Bom depois de assistir a apresentação de uma lastimável sub-tentativa de banda tentando ser engraçada aos moldes dos Velhas Virgens que torrou a paciência por volta de uma hora com instrumentos desafinados e um sujeito tentado cantar e provar que é bacana embebedar-se e não conseguindo nem uma coisa nem outra. Ainda fomos brindados com um neo político dizendo de sua felicidade em assumir um mandato e que seus projetos seriam, tais e quais. Esquecível para não me alongar.
E finalmente o Garotos sobe ao palco, histeria, uma sequência de mosh, rodas de pogo e Mao e seu já propalado discurso libertário em prol da classe trabalhadora do subúrbio. De repente tudo melhorou o som a luz, e todo mundo cantou a plenos pulmões os quase hits destes vinte anos de indignação registrados em forma de música. Vieram as canções (sic), garotos de subúrbio, johnny, subúrbio operário, a clássica e indefectível "vomitaram no trem" e por que não "Papai noel velho batuta". Valeu esperar tampo tempo e recordar a primeira vez que peguei o vinil cujo a capa era uma criança com mamadeira numa foto em preto e branco. Isso era meados de 1985. Muita coisa mudou de lá pra cá. Outras não.
Jeff
PS: meus mais sinceros agradecimentos ao Juninho (Dead Junqueiras) pela disposição e por viabilizar a minha ida para fotografar.
Meu muito obrigado também ao Sandrinho e a Renata que na raça promovem o underground aqui nesta cidade, e que me liberaram pra fazer meu trabalho fotográfico sem restrições.
Meu muito obrigado também ao Sandrinho e a Renata que na raça promovem o underground aqui nesta cidade, e que me liberaram pra fazer meu trabalho fotográfico sem restrições.































