domingo, 3 de junho de 2007

Mais podres do que nunca!




























Na semana passada eu estive na casa de shows Mogiana (finalmente) por um motivo simples e claro, assistir uma banda de OI Music que acompanho desde a mais tenra adolescência, os Garotos Podres.
Para a maratona escalei um dos meus melhores amigos, que simultaneamente as minhas peripécias musicais aqui em Black Stream, na cidade de Campinas ouvia e assistia as mesmas coisas, o "infant terrible" Gustavo Porto escriba e cineasta de formação.
Toda jornada que me enfio nestes quase quarenta anos de vida que envolvem música independente (punk rock, metal, hardcore, grind etc...) se revela uma peregrinação semelhante a percorrer o caminho de Santiago (aquele de Compostela) e salvo raras exceções , no percurso enfrento provações semelhantes ao cansaço físico e bolhas nos pés dos peregrinos em terras européias.
As provações aqui se mostram como cerveja na temperatura de quase quarenta graus (alguém pensou em laxante?), batidinhas gratuitas de pêssego ou algo parecido (que meu parceiro sorveu com desenvoltura e garbo e que declinei pois atualmente passo mal só com o cheiro), e uma infinidade de bandas tentando seu lugar ao sol, ou ao holofote, que nem sempre tem condições de ocupar qualquer palco.
Mas vamos aos fatos, ao chegar me deparei com uma autêntica banda de emotional hardcore, cujo o nome não anotei por pura falha já que para o gênero o grupo se mostrou bastante afiado. Visualmente o de sempre nestes emocionados anos dois mil, muita franja cobrindo os olhos, camisa curta e pulos, muitos pulos.
Na sequência veio os Dead Junqueiras, banda que emula o mais verdadeiro Punk Old School 1977, e que tem grandes amigos em sua formação. O som dos Deads foi a celebração daquilo que começou em 1975 em Nova York no extinto CBGB com direito a alguns " hey ho let's go", entoados como uma forma de culto pela platéia, que já nessa altura passava de trezentas pessoas.
Na platéia punks locais e de várias cidades da região, inclusive de Jaú (sic), todos se preparando para o "grand finale" com a garotada podre. Aconteceu algo que não presenciava há bastante tempo aqui em Sugar Cane City, e me fez confabular com o amigo Giuliano, guitarrista da lendária banda Distúrbio Mental que também pilota o baixo do Dead Junqueiras, a presença neste tipo de evento daquele pequeno sujeito que se veste como punk, consome tudo que é liquido, e depois enche o saco de todo mundo (inclusive das bandas) tentando tocar, tentando dançar e não consegue fazer nada disso e que sempre grita "Sex Pistols" ou "Anarquia" sem ter a menor idéia do que é isso ou aquilo.
Assim como os adeptos do "toca raul" pude constatar que os "toca pistols" ressurgiram numa nova geração. Eu e o Giuliano acreditamos que eles brotam do chão, assim como tiririca, aquele mato que aparece em qualquer jardim e não tem veneno que consiga eliminar. Essa etnia estava bem representada com parcos, mas barulhentos, exemplares no Mogiana.
Bom depois de assistir a apresentação de uma lastimável sub-tentativa de banda tentando ser engraçada aos moldes dos Velhas Virgens que torrou a paciência por volta de uma hora com instrumentos desafinados e um sujeito tentado cantar e provar que é bacana embebedar-se e não conseguindo nem uma coisa nem outra. Ainda fomos brindados com um neo político dizendo de sua felicidade em assumir um mandato e que seus projetos seriam, tais e quais. Esquecível para não me alongar.
E finalmente o Garotos sobe ao palco, histeria, uma sequência de mosh, rodas de pogo e Mao e seu já propalado discurso libertário em prol da classe trabalhadora do subúrbio. De repente tudo melhorou o som a luz, e todo mundo cantou a plenos pulmões os quase hits destes vinte anos de indignação registrados em forma de música. Vieram as canções (sic), garotos de subúrbio, johnny, subúrbio operário, a clássica e indefectível "vomitaram no trem" e por que não "Papai noel velho batuta". Valeu esperar tampo tempo e recordar a primeira vez que peguei o vinil cujo a capa era uma criança com mamadeira numa foto em preto e branco. Isso era meados de 1985. Muita coisa mudou de lá pra cá. Outras não.
Jeff
PS: meus mais sinceros agradecimentos ao Juninho (Dead Junqueiras) pela disposição e por viabilizar a minha ida para fotografar.
Meu muito obrigado também ao Sandrinho e a Renata que na raça promovem o underground aqui nesta cidade, e que me liberaram pra fazer meu trabalho fotográfico sem restrições.








quinta-feira, 3 de maio de 2007

Agradecimento





































































































































Eu gostaria de começar agradecendo a todos os envolvidos:
Joca e Régis meus parceiros de Motorcycle Mama desde 1990 !
Juninho, Maurinho, Keké e Giuliano Distúrbio pra sempre!
André, Da Lua, Fabinho, Ivan e Dê Muito obrigado.
Loy (parceiro e amigo há 20 anos) Daniel (que divide comigo músicas e ideias no Interstellar) e meu antigo e atual amigo Cris (que tem um coração gigante!) não tenho nem palavras.
Muito obrigado também:
Noel e Andréa
Vânia e Mac
Sérgio Playmobyl por terem acreditado no inicio da história.
Patricia Lauretti por ter cancelado suas aulas e ter passado o aniversário conosco!
Tiago Fuzz por ter me ajudado a viabilizar o Evento.
Adilson Terrivel e Gu Acrani pelo som!
Lê Vanzela por ajudar com a bateria.
Denis Reno por ter filmado tudo e ainda acreditar e fazer parte de um projeto futuro comigo.
E a todo mundo que foi até o Paulistânia e ficou feliz com esse reencontro.
Eu dedico os shows a memória do meu pai Professor Barcellos, a minha mulher Mari e a luz e alegria das minhas manhãs noites e dias, minha filha Alice.
A seguir um pouco das fotos dos shows.
Em breve vou postar mais.
Um beijão a todos!
Jeff
















domingo, 15 de abril de 2007

Motorcycle Mama











Fotos: Daniel Watanabe

Nós começamos o Motorcycle Mama em 1990, ele se chamava Os Egoístas. Lá pelos meados de 93 mudou o nome pelo qual atravessou a decada de noventa quase toda.
Os caras são meus amigos a muito tempo, portanto sujeitos a encontros, desencontros e desentendimentos.
Porém existe uma ligação afetiva que não nos separa nunca. Sem contar que eles estiveram comigo em momentos bons e nos mais ruins também. Abaixo segue texto feito pelo Loi falando do Motorcycle.
Ah já ia esquecendo, eles continuam na ativa mais com outra formação e com a adição de novos músicos e instrumentos, e hoje são conhecidos pela alcunha de "Motormama".
"A coisa toda começou em junho de 1990, quando a dupla J & J, ou melhor Jefferson (bateria) e Joca (baixo), trabalhavam num projeto paralelo chamado "Os 10 Maçãs". Ai apareceu um sujeito chato de pálpebras caídas rosnando em cima do som dos caras. A união de Reginaldo (guitarra e vocal) foi satisfatória fazendo com que o projeto paralelo desaparecesse, dando lugar para "Os Egoístas". Segundo Joca as músicas deles "eram uma coisa meio new wave, sem humor e com muito intelectualismo". Traziam traços de suas influências (The Fall, Velvet Underground, Gang of Four, Iggy Pop e outros).
Confrontando-se com a explosão do Rock Garage Americano e realizando parcos shows em RP, a coisa começou a mudar da "grozelha pra cachaça". Com a gravação da 3ª demo o nome da banda mudou de "Os Egoístas" para "Motorcycle Mama" e o som adquire traços de hardcore e rock pesado. Os MoMas caíram na estrada e realizaram shows em Sampa, Curitiba, São Carlos e em RP, junto com outras bandas. Pra terminar, a banda esta com a 4ª demo"Sonic Shampoo Disaster", com um som completamente pesado e massacrante. Se você não bota uma fé, liga pros cara e pede uma, Falô?"
Loy (matéria publicada no zine Dependência em 1993)


quarta-feira, 11 de abril de 2007














































O Paranóia foi a última banda a se juntar ao coletivo cabeça de bode.
Nos anos 90 não tinha ninguém em Ribeirão Preto capaz de fazer um crossover como eles, era punk mais hardcore e metal alinhavando tudo.
Muito rápido e muito bem tocado!Além do que contavam com um dos melhores (é até hoje) bateristas de nossa geração o grande Dê.
E a lenda urbana Ivan! Por que lenda? Isso é assunto que só trato pessoalmente!
Bom com eles tive um dos meus melhores sábados da minha volta a Black Stream, eu e Maurinho (Distúrbio) tivemos o privilégio de ver o pessoal ensaiar até próximo das 2 da manhã.
O material de vídeo ficou muito legal, quando souber disponibilizo aqui.Fiquem com as imagens dessa banda de grandes amigos (em todos os sentidos).
Jeff

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Não existe Califórnia Brasileira!


































O Distúrbio Mental é de longe uma das bandas mais honestas que essa cidade já teve!
Em todos os sentidos!
Eu tenho uma honra enorme de acompanhar a história dessa rapaziada nesses quase 15 anos!
Jeff
PS: Essa semana ainda tem foto do Paranóia!



A saga continua!
















No post abaixo o texto tinha a intenção apenas de localizar geograficamente e de forma temporal uma reunião de amigos que fazia Rock nos anos 90.
E agora resolvemos tocar juntos num evento no dia 27 de abril.
Ando fotografando os ensaios.





Começo agora a compartilhar imagens de cada banda que vai participar do Show.





Abraços!





Jeff





PS: em breve o serviço completo do Show com local e preços.


As fotos são da primeira banda a ensaiar "Broken Fingers" com o Cristian, Loi e Daniel.

Cabeça de Bode revisitada
















Cabeça de Bode Revisitada.


A coisa toda começa a tomar formato no inicio da década de 90, o rock brasileiro estava definhando e existiam poucas coisas a se fazer aqui para os lados da Califórnia Brasileira. A não ser vislumbrar o incrível e destemido crescimento do agro negócio esse sim se estabilizava e ganhava terreno. Nestes dias modorrentos e sem muito o que fazer é que muitos garotos se reunião para ensaiar, tocando influências das mais diversas e constituindo também bandas dos mais diferentes gostos e estilos.
Por volta do inicio de 1993 algumas bandas começam a levar a coisa mais a sério e iniciam pequenas apresentações juntas, dentre elas destaca-se a banda Motorcycle Mama e a banda Broken Fingers que fariam o primeiro show em um salão alugado nos arredores da Vila Tibério (famosa por só ter aposentados da extinta Cervejaria Antártica e uma classe média baixa que começava a ficar ainda mais baixa) que claro acabou em confusão. Porém essa é uma outra história de tantas outras que ainda vão ser contadas.
É desse show que surge a idéia inicial do que depois ficaria conhecido como uma espécie de coletivo de bandas auto intitulado “Cabeça de Bode”. Através dessa alcunha e agregando novas bandas surgem nomes como Distúrbio Mental, Paranóia e Punta além de várias outras que desenvolviam seus trabalhos e pouco tinham a ver com esse quinteto original. Foram as mais variadas espécies de roubadas, shows no meio da rua (com interrupção de trânsito e apresentação de skate), aluguel de galpões semi-abandonados e onde fosse possível plugar uma tomada os eventos aconteciam.
As bandas continuaram a se encontrar até por volta de 1996 onde houve o esvaziamento da pequena cena e poucas bandas continuaram com a proposta inicial (Motormama).
A idéia desse evento é resgatar a sonoridade da época e também promover o encontro dessa geração que ainda é atuante com a nova cena rocker da cidade.
Para tanto já existe uma articulação entre todos os membros que fizeram partes das bandas e é possível que a reunião aconteça ainda no primeiro semestre deste ano.

Jeff